Congestionamento de aliados ao Senado expõe indefinição de Braide e pode virar problema político
Se o pré-candidato ao Governo do Estado, Orleans Brandão, precisa administrar o delicado equilíbrio entre as pretensões de Weverton Rocha, Roseana Sarney e Pedro Lucas Fernandes para a disputa ao Senado, agora é a vez de Eduardo Braide enfrentar um desafio semelhante — e talvez ainda mais complexo.
Líder nas pesquisas para o Governo do Maranhão, Braide passou a ser alvo da cobiça de praticamente todos os pré-candidatos ao Senado que enxergam em um eventual palanque ao seu lado o caminho mais curto para a vitória. O problema é que, até agora, o ex-prefeito mantém absoluto silêncio sobre quem pretende apoiar, alimentando expectativas e aumentando a disputa entre seus possíveis aliados.
Os primeiros a demonstrar interesse foram Hilton Gonçalo e Simplício Araújo. Hilton tem uma relação política antiga com Braide, iniciada ainda em 2016, e já foi alvo de elogios públicos do prefeito. Já Simplício foi um dos primeiros a defender abertamente a candidatura de Braide ao Governo, chegando a afirmar que ele poderá vencer a eleição com 70% dos votos.
Na sequência, Duarte Júnior também passou a deixar cada vez mais evidente o desejo de integrar o grupo político liderado pelo prefeito.
Na semana passada, outro movimento embaralhou ainda mais o cenário. Lahesio Bonfim desistiu da pré-candidatura ao Governo e lançou seu nome ao Senado, numa tentativa de se aproximar de Braide. O gesto, no entanto, criou ruídos dentro do próprio partido, já que a decisão foi anunciada sem alinhamento com a direção da legenda nem com o também pré-candidato ao Senado, Roberto Rocha.
Agora, o mais novo integrante dessa fila é André Fufuca, que rompeu com o governo estadual ao devolver os cargos que seu grupo ocupava na administração e passou a mirar uma nova composição política.
O que antes parecia ser uma vantagem para Braide começa a se transformar em um problema. Quanto mais adia uma definição, maior é o desgaste entre os aliados e mais difícil será contemplar interesses tão distintos. A indefinição prolongada pode gerar frustrações, rompimentos e até fortalecer adversários.
Para quem lidera as pesquisas, administrar expectativas também faz parte da construção política. E, nesse aspecto, Eduardo Braide já começa a enfrentar seu primeiro grande teste antes mesmo do início oficial da campanha.
Por Diego Emir

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